TREINAMENTO

Quando a empresa compra um novo equipamento, novas máquinas, novas ferramentas de produção, faz parte do custo de aquisição o treinamento operacional do profissionais envolvidos; enquanto na contratação de um recurso humano, não há nenhum cuidado com o uso desse novo recurso, talvez porque não se de nenhum valor.

Bastaria qualquer empresa verificar a relação de custos assumidos no treinamento para utilização do novos equipamentos, em relação aos programas de integração de novos elementos, quando há, para ver o desnível nos próprios cuidados. Bastaria  verificar os custos de reposição de ferramentas e do turn-over de pessoal. Mesmo porque são esses recursos humanos que vão utilizar melhor ou pior, todos os outros recursos da empresa.

Via de regra os treinamentos da empresa, basta verificar os títulos dos cursos programados, são voltados para a adequação operacional do indivíduo maquina, ou processo. Raros são os movimentos no sentido contrário, e até mesmo no sentido de adaptação de um indivíduo ao outro. É como se as empresas não tivessem gente.

Certa vez no nordeste, fazendo a entrega técnica de 12 tratores para uma usina, negócio de 600 mil dólares, ocorrera o seguinte fato:
Na hora do almoço alguém teria que ficar cuidando  dos tratores; um dos tratoristas se ofereceu para ficar. Lá foram para churrascaria, os funcionários da revenda, da fábrica e o chefe da usina. Terminado o lauto banquete, sobraram muitos restos na mesa. O Djalma teve a idéia de juntar tudo e levar para o peão que ficara vigiando as máquinas. Deu um bandejão. Chegando no campo de trabalho, lá estava o rapaz sentado na sombra de uma máquina. Perguntado se tinha almoçado, disse que não.
- Então toma isso para você.
Ele entrou canavial adentro (não come na frente dos outros), e logo voltou.  
- Doutor, o senhor pode pedir para o chefe deixar eu dar uma corrida lá em casa. Minha mulher não comeu ainda hoje.
- Por que não pede você ?
- Se eu pedir ele não deixa.
Ao invés de pedir, diante de tal apelo, simplesmente falei para o chefe que eu tinha mandado levar o resto para a mulher. Ora, se a mulher não comeu, não havia comida em casa, ele também não comeria e estaria trabalhando o dia todo, com fome. Perguntado quanto ganhava um empregado daqueles - pasmem: meio salário mínimo. Uma roda dianteira que quebrasse por displicência ou inabilidade, custaria mais do que um ano do seu salário.

A pergunta era se adiantava alguma coisa o treinamento para aqueles "mortos de fome". Um tanque de combustível era mais caro que o salário mês do tratorista; enquanto poderia simplesmente, por operação incorreta, gastar o dobro de combustível por dia.