O poder do marketing

Durante algum tempo, a humanidade, nos mais diversos lugares, viveu sob o domínio de governantes que diziam ocupando o poder por delegação divina, ou por direito de sangue, os herdeiros do trono. Algumas vezes o poder foi usurpado ou dominado por força de guerras de conquista. Só recentemente, e em alguns lugares, o poder passou a ser exercido por representação democrática onde se desenvolveu a classe política representativa.

Com a advento da empresa moderna, os meios de produção e comercialização mais eficientes, o poder político começou a ficar atrelado aos capit ães da indústria e grandes comerciantes que, a cada dia,  mais aumentavam seus poderes sobre a população em geral.

Marx, no manifesto comunista, em meados do século passado, dizia que os governantes nada mais eram do que funcionários administrativos da burguesia. Hoje, diante a globalização do mercado, ao aumento do poder das multinacionais, os governantes deixaram até de servirem  como aliados aos propósitos da grande empresa, passando mais a se submeterem aos grandes interesses, não mais por vontade, mas por necessidade absoluta.

Vide o caso da Europa. Sempre vivendo em guerras entre seus países, nunca se entendendo politicamente, nem mesmo com casamentos entre parentes no poder; até que o poder econômico assume e transforma tudo num só país, a Comunidade Econômica Européia, com um parlamento e uma moeda.

Vide o caso do bloco comunista. Nem toda ameaça do poder nuclear do ocidente, conseguiu qualquer resultado no arrefecimento da guerra fria, até que veio o poder econômico, os interesses de mercado, derrubou o Muro de Berlim e desfacelou a União Soviética.

Hoje, independentemente aos reclamos de cada pais, o poder está cada vez mais a mercê dos interesses do marketing internacional. Diz-se, diariamente, que não se pode fugir globalização do mercado.

Certo ou errado? Nem tanto !

O poder do marketing não pode ser visto unicamente como bom ou mau em si mesmo, tem tantos defeitos como qualquer forma de poder e de interesses. É uma realidade que tem que ser respeitada.

No entanto, nada nos impede de entender o processo utilizado pelo marketing internacional, e que funciona, para utilização no nosso dia a dia, seja profissional ou pessoal. Afinal,  como em qualquer jogo, é necessário saber as regras para se participar.

O marketing se utiliza das mais simples regras de conquistas, a de agradar o outro para que o outro goste de você. Jesus disse a mesma coisa: "Amai ao teu próximo como a si mesmo";  e vendeu suas idéias para o mundo todo, que as consome até hoje, depois de 2000 anos.

Quando se fala em "vender", muita gente torce o nariz, por associar o termo aos maus vendedores, os exploradores, os desonestos. Vender é fazer com que alguém queira consumir o produto ou serviço que você tem para oferecer. Vender o oferecer o que o outro precisa. Tudo que é consumido, sejam produtos ou serviços e até mesmo idéias, são compradas de alguém, sempre a algum preço.

Marketing é, resumidamente, "conquistar e manter clientes" e tudo o mais que se fizer, é sempre este o objetivo básico. Como em todas as atividades, as ferramentas podem ser utilizadas de forma sutil e prazeirosa ou, de outro lado, violenta e dolorosamente.  não se pode criticar o martelo quando alguém o usa para quebrar a cabeça de outrem.

Os procedimentos desenvolvidos pelo marketing para conquistar pessoas do mundo todo, estão disponíveis para qualquer um que queira investir no marketing pessoal ou profissional.

Se quiser que o outro goste de você, ofereça o que outro quer receber, proceda da forma como o outro entende que é correto. Se quiser vender o seu serviço, mostre os benefícios que pode proporcionar ao outro, o seu consumidor.

A criança faz marketing quando procura agradar a m ãe; a namorada faz marketing quando se prepara para agradar o namorado;  os pais fazem marketing quando procedem de forma a conquistar a confiança dos filhos. O professor faz marketing quando procura fazer com que o aluno goste de sua matéria, o aluno faz marketing quando procura atender as regras estabelecidas pelo professor.

Quem não aprende a fazer marketing, pode  acabar por só ter o que reclamar da vida.


Rossi, P.S. A história do poder e o poder do marketing. Folha da Mantiqueira , Piracaia-SP, 03 out 1997, p.7