Marketing enquanto realidade

Este tema - Marketing enquanto realidade - objetiva alertar professores e demais profissionais da educação, para a existência de um mundo novo dominado pelo marketing internacional e que isso deve ser assunto de discussão em salas de aula, para que se oriente melhor a percepção do mundo em que se vive e conseqüente preparo para a realidade da vida. Tudo que é produzido e consumido no mundo inteiro, inclusive o saber e a cultura, encontra-se sob as regras e interesses do marketing internacional. A vida de cada cidadão é extremamente influenciada por estes interesses.

Entre o momento da concepção e o do consumo por vezes permeiam anos; quando o consumidor é "colonizado" com novos produtos, já é impossível para ele evitar este novo domínio decidido muito antes por outros em algum outro lugar do mundo. [1]

E continua De Masi, lembrando que a todo e qualquer momento, seja quem for o cidadão, estará sendo consumidor de um produto ou outro. É uma situação tão intrincada que mesmo o mais poderoso membro de um determinado poder político ou econômico, poderá se ver consumindo o remédio que foi decidido pelo poder médico ou dos laboratórios, ou consumindo a comunicação escrita sob os interesses do poder da imprensa.

Marketing na educação

A educação, seja no nível médio, seja na universidade, não pode ignorar esse assunto e está obrigada e inserir esse estudo nos currículos de formação, senão como matéria de formação, como visão de realidade. Qualquer estudo científico, para chegar a bom termo, não pode desconsiderar as variáveis referentes ao ambiente em que se propõe qualquer estudo. A formação de qualquer estudante, seja para fins de habilitação profissional, ou mesmo por pura conquista do saber, que não levar em conta a realidade do poder hegemônico do marketing, será, no mínimo, uma formação míope.

Pretendemos provocar discussão sobre a importância do marketing na vida atual de cada cidadão e a responsabilidade da universidade quanto a inclusão desse assunto nos currículos de formação nas mais diversas áreas, vez que todos, de uma forma ou de outra, acabarão por serem prestadores de serviços profissionais, senão por venda pessoal, a serviço de alguém que os venda. A escola secundária também deve se ocupar do marketing em seus currículos de formação, vez que pretende formar mão-de-obra técnica, formar prestadores de serviços.

Queremos mostrar que viver sem conhecer o que seja e como age o marketing, é no mínimo uma alienação total. É incrível, mas é verdade, a maioria dos profissionais de nível superior passaram tantos anos nos bancos acadêmicos, aprendendo o que fazer e o como fazer, sem nunca terem questionado os processos de oferta e negociação desses serviços, por vezes, especializado. Daí a freqüência com que se encontram muitos profissionais desajustados, rejeitados ou sub-empreitados no exercício profissional; isto representa inadequação ao mercado. Alguns se consideram "gênios incompreendidos", não são reconhecidos. Fazer-se conhecido e reconhecido, é uma atividade de marketing. não se trata de ser contra ou a favor, mas de conhecer; assim como se procura entender a natureza quando chove ou quando faz sol, para tomar as devidas providências no caminhar para alguma lugar.

Toda formação profissional é voltada para a prestação de um serviço, embora poucos se dêem conta disto. O médico não estuda para curar a própria dor de barriga, o dentista não estuda para cuidar dos próprios dentes, o arquiteto não estuda para projetar a própria casa; todos estudam para prestarem esses serviços aos outros. É claro que existem algumas exceções, alguns estudam psicologia pensando que isso vá resolver problemas seus.

Domenico De Masi. A Sociedade pós industrial. Senac: São Paulo, 1999