37. Pipoqueiro de feira

Muitas vendas se tem perdido por erro de enfoque na análise do potencial do cliente, por avaliação errada baseada na aparência. Nem sempre a aparência externa, as roupas e modos, demonstram a capacidade de compra.

Armando era vendedor numa revenda do interior de São Paulo, numa época difícil de vender caminhão. Com motor diesel, não tinha para entregar e com motor gasolina, ninguém queria.

Estava, o vendedor, conversando com o gerente, quando entrou um caipira e começou a olhar os carros em exposição no salão. Abria um e outro, olhava dentro e batia a porta.

- Armando, olha lá o que aquele cara tá querendo. Ordenou o gerente, com ares de indignação com aquele procedimento.

Armando foi chegando com toda a sua gentileza:

- Bom dia. O senhor quer ver algum modelo em especial?

- Não eu quero mesmo é um caminhão a gasolina, o senhor tem? Qual é o preço ?

- Temos um. 0 preço é 60 mil, mas podemos fazer um agrado para pagamento "a vista", 55 mil.

- Tá caro! Vê se consegue fazer um preço melhor que eu compro.

Vender caminhão com motor a gasolina naquele tempo era uma glória. Foi até o gerente e solicitou um preço melhor para poder fechar o negócio. O gerente, por não acreditar no comprador, pela sua aparência e também porque no interior se costuma conhecer as pessoas que podem comprar por se conhecer todo mundo, falou alto sem preocupação que o cliente ouvisse ou não:

- Faz 50, no dinheiro. Ele não vai comprar mesmo!

O Armando, respeitoso e educado, chegou no cliente e disse que poderia fazer por 50 mil, se fosse pago "a vista " naquele dia.

- O senhor tem carro? Pergunta o caipira ao vendedor.

- Sim. Respondeu o Armando.

O caipira então convidou o Armando para irem juntos até sua casa para buscarem o dinheiro. Voltaram depois com cinco sacos (sacos de açúcar, de 5 quilos) cheios de dinheiro trocado. Continham exatamente, 10 mil em cada saco. Nisso o gerente, assustado, quis voltar atrás no negócio dizendo que 50 mil era preço inferior ao custo e que não dava para fazer.

- O senhor é homem, o senhor engole.  Dizia o caipira.

O negócio acabou sendo feito e o Armando procurou então saber o que aquele indivíduo fazia. Era um pipoqueiro que arrendava feiras e exposições. Vendia pipoca, amendoim torrado e maçã do amor. O caminhão era para montar um quarto e cozinha ambulante, como um "trailler", para deslocar de uma cidade para outra, por ocasião dos eventos.