30. O gordo folgado

Nem só de dinamismo e fluidez vive o vendedor, há aqueles que apelam para suas inconveniências como forma de conseguirem fazer suas vendas.

Eu era office-boy de um departamento de vendas (fábrica de adubo) e buscava, atento, entender o que era ser vendedor.

O que me entusiasmava era o respeito que todos tinham por aqueles profissionais, que trabalhavam na empresa. Além do mais, "só viajavam". Era bem o que eu queria para mim, então buscava aprender o que faziam. Dentro dessas observações, um conceito de dinamismo foi se formando em mim, como o mais necessário para a profissão. Afinal era essa a característica mais comum entre quase todos.

Havia um porém, da região nordeste do Estado de São Paulo, que conflitava com a característica dominante em toda equipe. Era gordo, lento, chato, inconveniente, sem nenhum grama de "simancol". Enquanto os outros vendedores faltavam reunião mensal ou chegavam atrasados ou reclamavam para sair mais cedo, o gordo, para desespero do setor administrativo, chegava dois dias antes e aproveitava para ficar toda semana.

Sem ter o que fazer no escritório, ele encostava no primeiro que lhe desse trela e ali ficava. Se ninguém lhe desse atenção ele encostava atrás de alguém e ficava olhando trabalhar, sem dizer nada.

Intrigado, resolvi perguntar para seu gerente, como é que um "hipopótamo" daquele conseguia vender tanto.

- É por isso mesmo. Ele chega na fazenda do cliente , almoça, janta, dorme, toma o café da manhã, almoça de novo, e vai ficando até o cliente dar o pedido. Sem o pedido ele não sai. Para ficar livre dele os clientes preferem fazer o pedido.