14. De porta em porta

Por mais que se fale contra, e por mais difícil que seja o acesso s pessoas em suas casas, principalmente nas grandes cidades, onde as pessoas vivem se escondendo de tudo e de todos, também pelo medo de assalto, o "xaveco" continua sendo uma ferramenta MUITO ÚTIL para alguns tipos de vendas. É claro que como qualquer ferramenta, é necessária habilidade para manuseio.

Vendendo enciclopédias, Armando era um campeão. Por dez meses consecutivos havia conseguido o primeiro lugar. Conversando com dois novatos, eles perguntaram onde conseguia fazer tantas vendas.

- Ora, em qualquer lugar, é só escolher uma rua e trabalhar.

A conversa começou a se estender porque os novatos insistiam na sorte, e nas dicas, enquanto o Armando reafirmava a sua convicção que qualquer lugar era bom para vender. Bastava trabalhar mesmo e pronto.

Combinaram então pegar uma rua qualquer e fazer o serviço. Estavam por Santo Amaro, e por ali ficaram na primeira rua residencial que encontraram. Na hora de escolher o lado, o Armando deixou que os novatos fizessem a escolha. Eles escolheram o lado par e o Armando pegou o lado ímpar. Começaram as visitas, ficando combinado que se encontrariam para o almoço, num bar da terceira esquina, ao meio dia.

Armando fazia pelo menos um contrato por dia, às vezes até conseguia 3 ou 4; mas a responsabilidade da conversa que tivera começou a pesar quando saiu da quarta visita, já pela hora do almoço e nada tivera conseguido. Mais uma visita e nada.

Na hora do almoço encontrou os dois colegas no bar e fizeram um lanche. Nada de vendas. Eles já tinham feito juntos mais de 10 casas e retomaram a conversa que precisavam mesmo de boas indicações, pois trabalhar assim não dava.

O orgulho do Armando começou a se perturbar. Tinha que conseguir vender naquela rua, para provar a sua opinião. Depois do almoço se despediram e continuaram no trabalho.

Armando fez mais duas visitas infrutíferas e na terceira encontrou uma jovem senhora com sua filha de 8 anos, que lhe deu boa atenção. Começaram a conversar e a mulher resolveu falar com a mãe que morava do outro lado da rua.

A casa era das mais simples da rua. Armando sentia que estava perdendo tempo. Afinal, aquela casa certamente já teria sido visitada pelos colegas que não tinham conseguido nada.

A mãe, uma viúva, era simplesmente a dona da vila de casas. não só comprou a coleção para a filha que fazia faculdade, como também uma coleção infantil para a neta e outra enciclopédia para ela mesma.

Os colegas tinham pulado aquela casa, talvez por parecer muito simples.

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