11. Cobrando o prejuízo

O vendedor precisa ser um ator, saber representar e exprimir os seus sentimentos na hora certa.

Armando vendia uma determinada coleção de livros, fazendo sua apresentação com um volume de demonstração que pesava quase dois quilos. Uma vez, no centro de São Paulo, demonstrando o produto para um juiz de direito, foi surpreendido pelo "veredicto" do cliente:

- Isso não presta.

Com olhar indignado, fixou seus olhos nos olhos do juiz e num movimento brusco lançou o exemplar de demonstração pela janela do escritório (estava no décimo andar, na Rua 7 de Abril, Centro de São Paulo).

- Doutor, não trabalho mais com isso. não sabia que não prestava. Acreditava que era bom. Agora, se o senhor souber de alguma coisa que eu possa fazer, favor indicar para mim, pois não posso ficar desempregado.

- Espera ai, não serve para mim que só tenho tempo para ler anais dos tribunais e revistas jurídicas, poderia ser útil para minha filha que estuda no colegial.

Armando tirou um contrato do bolso:

- Então assina aqui, a faz o cheque de tanto.

Terminado o preenchimento do contrato e tendo pego o cheque, voltou-se para o cliente e declarou num tom de lamentação:

- Que prejuízo! O senhor me fez perder 237 cruzeiros (era o preço do material de trabalho), vou ter que comprar outro para continuar trabalhando.

O juiz retomou o talão de cheques e fez mais outro, no valor do material de demonstração.