4. Venda por indiretas

Outro dia eu soube que ele queria comprar um caminhão.

Mandei o Armando até a fazenda dele para realizar o negócio.

O Armando chegou na fazenda:

- Boa tarde, "seu" Onório, como vai o senhor? Eu estou indo ali pra fazenda do "seu" Antonio, me deu uma sede danada. Tem água no pote?

- Teeem, vamo entrando.

Como de costume, foi servindo água do pote e um pires com pedaços de doce. Um pouco de água, um pedaço de doce, outro pouco de água, e o tempo passando bem devagar.

Armando então entra com a conversa:

- To indo ali pra fazenda do "seu" Antonio, andam dizendo que ele quer comprar um caminhão, vou ver se é mesmo verdade. O caminhão que custava 84 mil, já aumentou para 92 mil, e o pior, não se acha !.

Armando terminou o último "gorpe de água" e foi saindo.

- Até logo, e muito obrigado pela água. Armando sai na direção da outra fazenda.

Dois dias depois...

- Oh, "seu" Onório, olha nóis aqui outra vez! Eu tava indo lá pra fazenda do "seu" Antonio e foi só passar por aqui que deu aquela sede de tomar água do seu pote.

- Vamo entrando. Repete-se o ritual da água no copo, o doce no pires... e o tempo passando lentamente.

- Bãããão eu tenho que ir. Vou ver se o "seu" Antonio vai mesmo querer o tal caminhão porque consegui arrumar dois ainda com preço de 84 mil. Vamos ver se ele quer mesmo, porque nesse preço tem um montão de gente querendo.

- Até logo, obrigado pela água e pelo doce. Armando saiu em direção da outra fazenda.

O matuto saiu em direção da cidade, passou no banco, sacou 84 mil, colocou numa sacola de feira e foi para a revenda.

- Remy, ocê tem caminhão?

- Tenho...

- Quanto custa? - 84.000

- Eu vou levar um. Colocou a sacola na mesa para eu contar o dinheiro.

- É assim que se vende pra ele (disse o Remy ), doutro jeito não funciona, ele foge.